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Você paga a conta: Fundo Partidário bancou 96% dos pagamentos a presidentes de siglas

Alan Milani
Você paga a conta: Fundo Partidário bancou 96% dos pagamentos a presidentes de siglas
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Levantamento mostra que dirigentes nacionais de siglas receberam quase R$ 3 milhões em 2025; maior pagamento superou R$ 630 mil no ano

Os presidentes nacionais de partidos políticos brasileiros receberam, juntos, cerca de R$ 2,95 milhões em pagamentos ao longo de 2025. Os dados constam nas prestações de contas entregues ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE) e foram compilados em levantamento divulgado pelo portal g1.

O estudo analisou os 30 partidos registrados na Justiça Eleitoral e identificou pagamentos classificados como salários, despesas com pessoal ou serviços técnico-profissionais destinados aos atuais dirigentes nacionais das legendas.

Segundo os dados, dez presidentes de partidos receberam remunerações ao longo do ano. O valor mais alto foi pago ao presidente nacional do Partido Renovação Democrática (PRD), Ovasco Roma Altimari Resende. A legenda declarou ter desembolsado R$ 630,5 mil em 2025, o equivalente a aproximadamente R$ 52,5 mil por mês.

A maior parte desses recursos teve origem no Fundo Partidário, mecanismo financiado majoritariamente com dinheiro público. Do total de R$ 2,95 milhões pagos aos dirigentes, cerca de 96% vieram diretamente do fundo, enquanto aproximadamente R$ 117,9 mil foram custeados com recursos próprios ou outras fontes das siglas.

O que é o Fundo Partidário?

O Fundo Partidário é uma das principais fontes de financiamento das atividades permanentes dos partidos políticos no Brasil. Ele é composto por recursos do Orçamento da União, multas eleitorais, doações e outras receitas previstas em lei.

A legislação permite que os partidos utilizem esses valores para diversas despesas administrativas, incluindo pagamento de funcionários, manutenção de sedes, contratação de serviços especializados e remuneração de dirigentes, desde que os gastos sejam devidamente declarados nas prestações de contas.

Transparência e fiscalização

As prestações de contas apresentadas ao TSE têm como objetivo garantir transparência sobre a aplicação dos recursos públicos destinados às legendas. Os documentos permitem que a sociedade acompanhe como os partidos utilizam os valores recebidos do Fundo Partidário.

Desde 2015, empresas estão proibidas de fazer doações para partidos políticos e campanhas eleitorais. Atualmente, apenas pessoas físicas podem contribuir financeiramente para legendas e candidatos, desde que as doações sejam declaradas e respeitem os limites estabelecidos pela legislação eleitoral.

Debate ganha força em ano pré-eleitoral

A divulgação dos números ocorre em meio à preparação para as eleições de 2026 e reacende o debate sobre o financiamento público da atividade partidária no país. Defensores do modelo argumentam que o sistema reduz a influência econômica de empresas sobre a política. Já críticos questionam o volume de recursos públicos destinados às estruturas partidárias e a forma como parte desses valores é utilizada.

Os dados permanecem disponíveis para consulta pública por meio das prestações de contas apresentadas ao Tribunal Superior Eleitoral.

Fonte: Tribunal Superior Eleitoral (TSE) e levantamento do g1.

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