O matemático que criou uma fórmula para vencer os cassinos – e agora aplica sua técnica em investimentos

    Quando era um jovem professor de matemática do Instituto de Tecnologia de Massachusetts (MIT), nos anos 1960, Edward Thorp idealizou uma técnica para superar cassinos no jogo blackjack. Depois desenvolveu um equipamento para prever o resultado das roletas.

    Thorp fez uma pequena fortuna e se tornou uma persona non grata nos cassinos. Então mudou de ares e conseguiu ainda mais dinheiro ao usar seu brilhantismo matemático para investir em Wall Street.

    Em entrevista ao programa de rádio da BBC, Outlook, Thorp conta como percebeu que tinha uma capacidade matemática fora do comum e por que decidiu usá-la para esses fins.

    Mal tinha aprendido a falar, ele foi introduzido aos números pelo pai. “Eu aprendi a adicionar, subtrair, multiplicar, fazer a raiz quadrada quando tinha pouco mais de 3 anos”, conta.

    Quando tinha por volta de 5 anos, ele foi com sua mãe a um pequeno mercado do bairro e ouviu o dono falar em voz alta os preços dos itens enquanto totalizava a conta do cliente na calculadora.

    O comerciante deu um valor final e Thorp, que fez os cálculos de cabeça, discordou. Ao final, o menino estava certo e acabou ganhando um sorvete de casquinha pelo feito.

    Thorp ficou feliz com o presente e começou a passar no mercado de tempos em tempos para checar os valores da conta e ganhar mais sorvete.

    Essas e outras histórias estão no livro que Thorp publicou este ano sobre sua vida: “A Man for All Markets: Beating the Odds, from Las Vegas to Wall Street” (Um homem para todos os mercados: conseguindo o improvável, de Las Vegas a Wall Street, em tradução livre).

    Nascido em 1932, Thorp viu quando criança sua família sofrer os ecos da Grande Depressão. Seu pai ganhava pouco, e sua mãe se mudara quando o casal se separou. “O dinheiro era escasso e ninguém desperdiçava centavos”, lembra-se.

    Ele entendeu o valor do dinheiro ainda menino e começou a poupar desde cedo para a faculdade. Na época, fazia pequenos trabalhos para vizinhos em troca de alguns trocados.

    Na escola, ficava entediado com o nível dos estudos. “Os cursos não eram muito relevantes. Eu tinha interesse em ciência e matemática, então eu pegava os livros por conta própria para ler”.

    Num teste de QI, bateu o recorde de pontuação da escola, um nível que se espera encontrar num aluno a cada 100 anos.

    Técnica imbatível

    O jovem alcançou o posto de professor no renomado MIT e já tinha uma vida confortável quando desenvolveu uma técnica em que conseguia contar mentalmente as cartas do blackjack, também conhecido no Brasil como vinte-e-um.

    Ele garante que não fazia isso por dinheiro, mas para provar que os cassinos poderiam ser superados. “Eu estava ali pela experiência, para provar que o método funcionava”.

    Mesmo assim, estima que acumulou com o jogo nos anos 1960 cerca de US$ 25mil, o que hoje representaria em torno de US$ 250 mil ( cerca de R$ 810 mil).

    Junto a outro gênio da matemática, Claude Shannon, os dois criaram na mesma época o que Thorp chama de o primeiro “computador vestível” do mundo. Trata-se de um equipamento eletrônico que ele escondia no corpo para entrar nos cassinos e que cronometrava o número de voltas que a bola dava na roleta para estimar onde ela iria parar.

    Além de acumular vitórias e dinheiro, Thorp publicou sua técnica de contagem de cartas num livro que virou a obra clássica dos apostadores. Tornou-se uma figura odiada por donos de cassino, começou a ser barrado nos estabelecimentos e conta que, certa vez, até tentaram drogá-lo. “Eu pedi um café e perdi minha capacidade de focar, não conseguia mais fazer conta”.

    Ele então decidiu abandonar o blackjack e as roletas e usar sua capacidade matemática para apostar em outro grande cassino: Wall Street.

    Nos anos 1970, abriu seu próprio fundo de hedge. Lá ele também desenvolveu um sistema de probabilidades do comportamento dos mercados que ele usa para tomar decisões financeiras.

    “Quando ia para um cassino, meu risco era que alguém quebrasse minha perna. Aí pensava, não vou ter este risco em Wall Street. Isto é verdade. Mas você tem vilões muito mais espertos em Wall Street, e o dinheiro é muito maior”, comenta.

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